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quarta-feira, 7 de abril de 2010

SKEPTICS AND TRUE BELIEVERS

"So you're selfish, and I'm sorry when I'm gone you'll be going nowhere fast."

Fiquei sozinha durante o jogo inteiro. Não entendi nada. E eu juro que tentei, até gritei um pouco quando toda a arquibancada fez o mesmo. Mas é claro, ainda me sentia deslocada. Todas as vezes que olhava pro lado me perguntava porque estava ali. Claro, era pelo Danilo. E pelo modo como a minha vida havia mudado estranhamente nos últimos três dias... Mas mesmo assim, não fazia sentido.

Eu era Freesia di Bianchi. Provavelmente a garota mais solitária do meu colégio. A suicida em potencial. Aquela que só tinha um amigo. Irmã de Agnes di Bianchi, a garota mais popular de toda a escola. Eu era inteligente, mas não o suficiente para ser considerada uma nerd. Eu era legal, mas não o suficiente para ter muitos amigos. Eu era bonita, mas não o suficiente para que alguém – Além do meu melhor amigo – gostasse de mim. Eu era solitária. E eu realmente não deveria estar aqui. Isso era um erro, os últimos dias haviam sido errados.

Não fazia parte do ciclo natural das coisas, até porque, no circulo natural eu morria. E isso ia acontecer, sabe? Eu ia morrer. E queria continuar invisível como sempre fui, não quero que as pessoas reparem em mim ou que percebam que eu estive aqui em algum momento. Talvez eu seja egoísta, mas antes eu não ligava pro fato de elas sofrerem. Porque elas não iam. Mas agora, agora eu não sei mais. As pessoas pareciam interessadas e provavelmente, quando eu voltasse à escola, todos se interessariam. Afinal, eu estava meio que namorando um dos jogadores de Futebol e isso era grande. Isso era grande demais para Freesia di Bianchi.

Me levantei do banco da arquibancada. Tudo era um erro, eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar com em casa, falando mal das pessoas no telefone, escutando meus discos, vendo meus filmes. Não deveria ter saído de casa num porshe amarelo, não deveria ter beijado o Danilo, não devia ter sido legal com a minha irmã. O que eu estava pensando quando deixei isso acontecer?

Os garotos estavam no vestiário. O jogo havia acabado. Minha irmã estava se agarrando com a Laura enquanto milhões de pessoas ficavam à sua volta e tiravam fotos com o celular. E eu? Bom, eu estava com os olhos encharcados de tanto chorar e atravessando o campo em direção à saída.

Como eu ia para casa? Não faço a menor idéia, afinal, eu não dirijo. O Giordano dirige, mas duvido que ele queira falar comigo agora. E eu não ia ligar para os meus pais. Não mesmo. Até porque eles não estavam em casa.

Por isso eu fui a pé.

Certo, digamos que eu estou acostumada a ir a pé para casa todos os dias. É longe, eu sei. Mas eu vou. Simplesmente vou quase todos os dias, com exceção dos dias em que o Gio pode me levar. Só que agora parecia tão mais difícil. Porque eu era idiota o suficiente pra deixar que minha vida virasse essa confusão? Eu estava simplesmente iludida e é ridículo pensar que eu realmente cogitei a idéia de abandonar as minhas convecções, tudo por culpa de um garoto idiota. Lindo, mas idiota. E que beijava bem, mas ainda assim, idiota.

Então eu escutei uma buzina. Uma buzina violenta que eu infelizmente reconheci. Não queria ter reconhecido, não mesmo. Era a buzina de um porshe. E então eu me virei, com o discurso que eu havia pensando nas ultimas horas completamente decorado, eu estava tão pronta pra falar. Cheguei até mesmo a abrir a boca.

Mas não era um porshe amarelo.

Era um porshe vermelho, e nele, não estavam as pessoas desprezíveis da minha escola. Ali estava Alicia Fontinelli. Com suas grandes e bronzeadas pernas, seu cabelo louro e seu sorriso completamente branco. Ela parou o carro no meio da rua – sim, literalmente no meio da rua – e abriu a porta. Vestia algo que ela chamaria de vestido e eu de camisola, mas era azul. Um azul tão intenso quanto seus olhos. Então ela disse – Nós temos que conversar. – E eu assenti, afinal, como você pode dizer que não quer falar com a traficante que está conseguindo seus comprimidos?