quinta-feira, 22 de abril de 2010

CHANGE YOUR MIND.

"And I said if the answer is no, can I change your mind?"

Demorei quase duas horas pra chegar em casa. Porque as pessoas vão ao banco num sábado à noite? É só isso que eu gostaria de saber, quer dizer, eu só fui por motivos maiores... Não porque eu gosto. Agora a galera, não, sério, alguns até mesmo se conheciam! Deviam fazer uma reunião semanal de freqüentadores de bancos. Desci do carro sem dizer tchau a Alicia. Aliás, ela não estava com aparência de quem ligaria se eu exercesse o mínimo da minha educação ou não. E nem eu.

Havia um peso em minhas mãos... O da minha vida.

Andei rapidamente até a porta, a destranquei e encontrei a sala completamente bagunçada como estava quando saímos. Eu não ia arrumar. Meus pais não ligariam, eles nunca ligavam. Eu precisava mesmo era pensar. Subi até o meu quarto – tecnicamente meu e da Agnes, mas quem liga? – e quando abri a porta tive a maior surpresa que eu poderia ter.

Certo, como ele podia ser tão insistente? Mesmo com os olhos verdes inchados do que eu esperava ser da maconha que ele fumou, ainda continuava gato. A pele continuava no mesmo tom levemente bronzeado, o corpo continuava definido, o sorriso continuava branco e a voz continuava irresistível. É claro que isso não mudava nada... Eu simplesmente não queria falar com ele! – Eu pensei que tivesse dito pra você sumir daqui. – Eu disse, categórica enquanto jogava minhas coisas na cama. É claro que joguei minha blusa por cima do potinho de comprimidos, não queria que ele soubesse de nada.

– Eu só quero entender porque, Freesia – Ele começou a chorar. Olha, eu sou a pessoa mais antidrogas que eu conheço, mas a minha vida seria muito mais fácil se ele estivesse completamente chapado. Só. – Foi algo que eu fiz? O que foi? Eu posso concertar, mudar... Tudo parecia estar tão bem... – Procurei frieza em todo o meu ser, quando, na verdade eu queria me jogar nos braços dele e dizer que eu tinha sido uma idiota. Mas é claro, eu não podia. – As aparências enganam. Agora, por favor, vai embora. – Estava me segurando pra não chorar. Já não bastava aquela cara vermelha e inchada dele e a minha, que estava se recuperando. Eu simplesmente não podia chorar... Se eu chorasse ele saberia que havia algo errado. E oi, ele não pode saber porque:

a) Não é muito legal escutar que uma pessoa está querendo se matar;
b) Ele ia querer me fazer mudar de idéia, igual a todas as outras pessoas. E é como eu sempre digo, eles não vivem como eu vivo e não sabem o que eu passo/passei.

– Não, Freesia, não enganam – Ele levantou e veio em minha direção, provavelmente me abraçaria. Mas eu lancei um olhar tão mortal que até o Darth Vader sairia correndo e pedindo ajuda para a mamãe. – Eu só queria saber... – Ele foi dando passos para trás até que sentasse na cama (cheia de espermatozóides mortos) da minha irmã e então continuou falando – ... O que você estava fazendo no carro daquela traficante? – E me encarou com os olhos mais verdes, lindos e decepcionados do mundo. Alguém arranja um buraco? Porque eu quero cair nele.

– Traficante? – Fiz a maior cara de quem não sabia de nada, é claro, ou ele esperava que eu falasse “Ah, sabe como é... To precisando me matar e ela conseguiu uns comprimidos, by the way, é por isso que estou te dando um pé na bunda. Beijinhos” Claro que não e se esperava, bem, ele não ia ter a resposta que queria. Obviamente. – Do que você ta falando? – O encarei com a maior cara de decidida que eu consegui, mas é claro, ela não era muito boa.

Porque ele tinha que complicar tudo? Aliás, porque ele tinha aparecido na minha vida? Não era pra ser assim... Não mesmo. – A Alicia. E não faça essa cara de quem não sabe de nada, você acha que nós compramos drogas com quem? – Ele estreitou os olhos e ficou me encarando por alguns segundos. Mas eu não respondi. Não podia. Tinha sido pega na mentira e agora tinha que encarar as conseqüências. Fiquei apenas parada enquanto ele levantou, trancou a porta do quarto e fechou a janela, em seguida, fechou a cortina. Ótimo, agora ele acha que eu uso drogas e vai me estuprar. – O– o– quê você ta fazendo? – Gaguejei quando ele veio em direção a mim. Eu tinha certeza, ele ia me estuprar.

Acho que esse é o castigo que ele encontrou pra me dar. Sério, cadê a criatividade desses jovens de hoje em dia?

Mas não. Ele não me atacou na parede, não me chamou de lagartixa. Infelizmente, quer dizer, claro que isso ia contra as minhas convicções, mas o que ele fez depois foi pior. No ultimo segundo desviou até minha cama e então levantou a minha jaqueta.

Fez a maior cara de assustado quando viu a caixa de comprimidos. Ué, ele esperava o quê? Uma seringa com heroína prontinha pra ser usada?

É, acho que sim.

Um comentário:

  1. Sobre o Banco: O mundo não pára. Mas ir ao Banco é um saco. Um S-A-C-O! E ainda por uma traficante, Freesia? Oh, dont.

    "Espermatozoides mortos", hauahauahua. Morri. Filhinhos mortos, abortos, tristeza, TTT. Agnes for president. <3

    Vamos ao que interessa: o casalzinho de DIFD.
    Ele é o cara perfeito, você não enxerga isso? Tomara mesmo que ele tire essa ideia absurda da sua cabeça. Vocês dois são lindos e merecem ficar juntos.



    Último detail do meu comentário, é The Killers. Ótimo episódio. Mas sinto falta de quem? Da Agnes, claro. HAUEHAUEHUA

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