Mostrando postagens com marcador décimo capítulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador décimo capítulo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de abril de 2010

VANILLA TWILIGHT.

"And I'll forget the world that I knew, but I swear I won't forget you."

Eu não sabia muito que pensar, ou o que fazer. Ele tinha me assustado, ele tinha matado minhas chances de morrer, ele tinha chorado mais do que é humanamente possível. Isso só nas últimas duas horas. E ainda assim eu quis ir em direção a ele e abraçá-lo. Me sentei do lado dele e o abracei. – Eu não sabia, sinto muito. – Ele encostou a cabeça no meu ombro e nós ficamos ali por muito tempo.

Tempo suficiente para que minha irmã e toda a sua trupe chegassem em casa.

– Merda. Eu não os quero aqui, não quero que eles me vejam... – Eu percebi que por mais fragilizado que ele tivesse, o orgulho ainda era maior do que todo o resto. E decidi que seria certo sair dali. – Vem... – Sussurrei e então entrei no escritório do meu pai, ele me seguiu. Eu tranquei a porta.

Ele sorriu para mim e então disse, bem menos fragilizado do que há cinco minutos atrás. – Você promete pra mim que vai tentar? – Eu não queria tentar e ao mesmo tempo... Queria. É difícil de explicar o que estava passando na minha cabeça naquele momento. Eu não conseguia olhar para ele e perder o ar, como tinha acontecido hoje de manhã. Eu olhava pra ele e vinha um misto de fúria, de culpa. Eu ainda queria ser dele. – Prometo. – Eu disse, ainda sem olhar para ele como antes. – Eu preciso que... Preciso que você me entenda. – Percebi que ele se aproximava enquanto falava, meu corpo todo tremeu. Levantei os olhos e notei que ele estava mais próximo do que eu pensei que estivesse.

– Não faça o que você está pensando em fazer, eu não quero. – Dei as costas para ele e sentei-me no sofá. Sofá esse que tinha sido palco para cenas menos tensas hoje de manhã. Quando que tudo ficou tão complicado? Eu nem me lembrava mais. Ele se sentou do meu lado e então sorriu, um sorriso amarelo daqueles de quem não tem porque sorrir. – Eu não ia fazer nada. – Torci o nariz, numa expressão desconfiada e então me encostei no sofá, me pondo a pensar. Só pra variar um pouco.

Eu não ia mais morrer.

Não que eu tenha me transformado num ser imortal ou algo do tipo, mas eu não ia morrer tão cedo quanto achei que fosse. E isso é um baque. Quer dizer, eu vivo mais sessenta dias e depois não tenho com o que me preocupar... Agora não. Tudo tinha mudado drasticamente, eu ia viver, iam passar os sessenta dias e eu ia estar aqui. Idiota e invisível, mas eu ia estar aqui.

– Eu não sei como viver, Danilo. – Não olhei para ele, apenas fiquei observando a belíssima pintura do teto. – Não tem nada que me faça querer estar aqui. Acabei de gastar todo o meu dinheiro com esses comprimidos, não planejei ir para nenhuma universidade, nem mesmo planejei ir para a formatura. E aí, o que eu faço? Vivo minha vida inútil pensando como seria mais fácil ter morrido? – Continuei sem olhar para ele. Eu ia chorar de novo, só estava me segurando pra que isso demorasse um pouco mais. – É só viver, Freesia. – Ele respirou fundo – Sem pensar. A vida não é feita pra ser planejada, é feita pra ser vivida. E aí que você não se inscreveu pra nenhuma universidade? As inscrições vão até sexta-feira que vem. Você não sabe o que fazer? Testes vocacionais estão aí. – Ele se virou para mim e pegou a minha mão, o que meio que me obrigou a virar para ele. – O problema é que você pensa demais. – Ele sorriu, um sorriso meio torto, meio sem graça. – Uau, você já pensou em escrever livros de auto-ajuda? Acho que ganharia uma grana. – Ele começou a rir e então jogou uma almofada em mim.

Ele começou a se aproximar de mim, eu queria chutá-lo, mas não o fiz. Apenas fiquei parada. Ele estava tão perto... Ele esticou os dedos e passou pelo meu rosto, limpando minhas lágrimas. – Nós estamos bem? – Eu apenas balancei a cabeça em resposta. – Não me chute. – Ele sorriu e então seu hálito de menta logo estava queimando a minha pele, seus lábios começavam a dançar com os meus. Em pouquíssimo tempo o clima ficou... Quente.

E então a Agnes abriu a porta, chorando como se tivesse sido testemunha ocular de um assassinato. Nós dois paramos, ainda que não quiséssemos e então nos sentamos, meio desconfortáveis.