sábado, 13 de março de 2010

STRANGERS

"‘Cause strangers talk, be careful what you feel, there's something there; I told ya, I'm not done with you."
Leia escutando: Strangers, do Van She.

Não me entendam mal, eu amo minha mãe e minha irmã. Mesmo que minha irmã seja uma completa vadia o tempo todo e a minha mãe se preocupe com tudo, menos comigo. Só que ambas tinham esse desejo assassino de amor! Não me entenda mal, não é que eu não queira me apaixonar. É só que... Bem, eu não fico avisando isso para todos o tempo todo e nem sou completamente insuportável, tipo, não fico procurando namorados o tempo todo. Não quero. Acho que quando o amor me encontrar, olha que bom, me encontrou. Se não me encontrar eu vou continuar, ou não, vivendo. Simples assim. Agora, elas ficam procurando, querendo, atiçando... Me vestindo com roupas cor–de–rosa e vestidos floridos.

– Para! Para! Eu não vou colocar esse vestido, ta entendendo? Não! – Eu olhei pra ela com um olhar de morte enquanto via a mim mesma da maneira mais ridícula possível no espelho... Eu tava parecendo, a Madonna na época de Like A Virgin, sabe? Eu não tava bonita... Eu tava parecendo uma vadia. E depois disso a minha mãe concordou. – Mas minha filha, essa roupa que você ta usando agora é muito... – Ela tossiu, pigarreou, engasgou. Tudo ao mesmo tempo. – Bem, ela não é muito aconselhável pra se usar num encontro com um rapaz, entende? Esse vestido é tão mais bonito... – E apontou pra um vestido completamente ridículo, todo cheio de florzinhas verdes. Tipo, um que a minha avó usaria.

– Não, mãe. Eu odeio flores, entende? E eu também odeio verde. – Aí a Agnes olhou pra mim assentindo, pelo menos ela tinha um certo sentido das coisas. – E eu vou usar minhas roupas normais... Eu não to querendo impressionar ninguém ou arranjar um namorado, entendam, eu só vou nessa merda porque a Aggie ta insistindo. – Fiquei esperando resposta, mas nada, acho que elas entravam em transe todas as vezes em que as pessoas eram ríspidas com elas, ou algo assim. – Agora, me deixem me trocar, vai. – Ai minha mãe deu um sorriso triste e sussurrou um “tudo bem” logo saindo do quarto com cara de morte. A Agnes ficou lá, tagarelando sobre o Danilo. Ai, meu deus, qual parte do “To indo só porque sou obrigada” era muito difícil de ela entender?

– ... Não, então, mas ano passado ele foi o artilheiro do time de Futebol sabe? Você deveria ver ele jogando... Ele só não é melhor que o Sandro, mas também, o Sandro é o melhor. Em tudo. – Ela me olhou com uma cara de apaixonada enquanto tentava entrar numa calça de couro que deixava a bunda dela maior que a da J.Lo e eu colocava minha calça jeans surrada de sempre. – Aliás, sabe o que o Sandro disse? Que nós estamos pronto pra dar o próximo passo... – Aí eu saltei pra trás, podia parecer terrível, mas era a primeira vez desde que eu nasci que ela me tratava como uma irmã e não como... Bem, como alguém. E isso era legal, quer dizer, e ela estava me contando coisas intimas dela, tipo, ela ia transar. Era um grande passo. – Nossa, sério Aggie? E você já foi num ginecologista, ver se ta tudo bem com vocês dois, quer dizer, ninguém quer pegar AIDS, né? – Aí ela me olhou com uma cara de quem não tava entendendo nada.

Eu fiquei sem graça, minhas bochechas provavelmente ficaram mais vermelhas do que o sutiã completamente vadia que ela estava usando e eu tentei disfarçar, hehe, olhei pro meu guarda–roupa até achar minha camiseta do Libertines, coloquei e olhei pra ela. – Ué, se você vai transar... – Aí ela caiu na gargalhada. E eu queria muito, muito morrer. Muito mesmo. Já disse que eu queria muito? Ah ta.

– Ai, sua besta. Mas isso nós já fizemos, ou você acha que eu vejo filmes no cinema? – Ela pegou uma blusa branca e colocou enquanto falava, depois pegou um batom vermelho e começou a passar no contorno dos lábios. – O próximo passo é, bem, eu acho que ele vai me assumir como namorada mesmo. – Aí eu travei. Como assim? Eles não namoravam? Ele não tinha vindo aqui em casa comer raviolli e falar sobre suas super atuações no time enquanto eu tentava desesperadamente fugir da sala sempre que ele me perguntava qual era meu nome?

– Como assim assumir? Mas vocês já não namoram...? – Fiquei olhando com uma cara de duvida, uma cara de: Ok, certo, minha irmã é uma corna. – Não, na verdade nós só ficamos e bem, ele é livre pra ficar com quem ele quiser, eu também sou... E aquele dia que ele veio conhecer nossos pais, bem, aquele dia foi totalmente uma mentira pra nós podermos transar aqui sabe? – Ai caralho, eles tinham transado no meu quarto? No meu quarto impecavelmente limpo? Levantei da cama com a maior cara de nojo e ela, como sempre, não entendeu o porquê. Ficou me olhando com uma cara de duvida e então se olhou no espelho.

– Ah, calma, eu vou tampar essa espinha com a base. Ela é totalmente horrível, eu sei... – E eu tava lá, parada, com muito nojo de tocar em qualquer coisa daquele quarto novamente. Sério, que nojo supremo. Quero morrer... Ou não. Ou melhor, to querendo muito. Me olhei no espelho e me dei conta de que já estava pronta. – Aggy, eu vou te esperar lá embaixo, ta? – Daí eu comecei a descer as escadas. Tudo ia melhorar no momento em que eu chegasse na sala. Eu tinha certeza disso, mas quando cheguei no pé da escada lá havia uma visita que eu não havia programado. O Gio, tava lá, sentado na sala e do lado dele estavam o Danilo e o Sandro, que sério, estavam ali há quanto tempo? Não importa. O que importa é o Giordano, que tava me olhando de um jeito um pouco... Bem, um pouco assassino.

– Gio! Eu não sabia que você tava aqui, vamos ali fora conversar, vamos... – Eu disse enquanto ia abraçá–lo no sofá. O Danilo me olhou com uma cara. Ah, quem se importa com o que ele pensa no fim das contas? Eu e o Gio saímos de fininho e fomos pro quintal, que era um completo nada cheio de mato e minha mãe gostava de chamar de horta. Enfim.

– Você vai mesmo sair com a sua irmã, o namorado dela e aquele cara idiota do time, Free? – Ele me olhou, claramente desapontado comigo. – Não, sabe o que é? É uma longa história... A Aggy me obrigou e... – E aí ele me parou no meio do discurso de “me desculpe por não sair contigo hoje, mas sabe como é, vou ali dar uns amassos naquele cara do time” – Agora ela é Aggy? Poxa, Freesia, eu achava que você odiava todos eles... Principalmente a sua irmã idiota e depois disso o quê? Você vai entrar pras lideres de torcida e ser rainha do baile? Quando a minha melhor amiga voltar, você me liga... – Ele fez uma cara triste e abriu a porta, prestes a sair e depois me xingar para todos os amigos do AIM dele. – Giordano, você não tá levando isso muito a sério? Eu só vou no cinema... Não é como se eu realmente quisesse algo com ele; ele nem faz meu tipo, eca. – E aí eu percebi a merda que eu tinha feito. Estavam parados no meio da cozinha, além de mim e do Gio: Meu pai, minha mãe, minha irmã, o “namorado” dela e o Danilo. E o ultimo era o pior, ele ficou me olhando com uma cara... Tive certeza de que não ia mais querer sair comigo. Mas essa tinha sido uma idéia ruim desde o principio.

– Ta bom, Freesia. Você sabe o que faz então. – E o Gio andou até a porta e saiu. Eu fiquei ali, com todos me encarando. Uma cara de poucos amigos. – Hihi, sabe como é... Amigos ciumentos, hihi. – Olhei com um desespero pra Agnes, até que ela entendeu e tomou controle da situação. Mas de verdade, eu tava querendo morrer. E muito. O Danilo ainda tava me olhando com aquela expressão indefinida. – Então, vamos gente? Vamos. – Disse a Aggy enquanto puxava todos nós lá pra fora. Sério, meus pais não ligavam pra isso? Eles eram mais inúteis do que eu julguei que fossem minha vida inteira.

Logo quando chegamos lá fora eu tive certeza de que aquela noite não seria boa e que eu me sentiria uma completa estranha no meio deles. Tinha um Porshe amarelo parado ali. Simplesmente isso. Sério, eu to acostumada a andar de bicicleta não de... Bem, não de nada que custe mais de dez mil euros, pra falar a verdade. Acho que o Danilo reparou porque ele sussurrou no meu ouvido. – Legal né? Ganhei dos meus pais semana passada... – Eu tava meio travada ainda porque ele tinha sussurrado,mas respondi. – Wow, super legal. – E aí minha irmã gritou – Gente, adivinha o que eu trouxe? – E nós só estávamos, tipo, na porta de casa. E então ela tirou um pacotinho de maconha do meio dos peitos. Daí o Sandro agarrou ela e eles praticamente transaram ali.

– Nós vamos perder a sessão... – O Danilo disse e eu achei super fofinho, ele queria mesmo ver o filme. Aliás, que filme que era? Não sei, não tinha perguntado e nenhum deles me falava nada. No carro, colocaram um CD de rap e cantaram junto enquanto eu vomitava ali, credo. E quando estávamos quase chegando no centro ele colocou a mão na minha perna e apertou. Ele apertou a minha perna. Eu tinha conhecido o garoto hoje e ele estava colocando a mão na minha perna e apertando? Olhei pra ele com uma cara de ódio supremo e ele logo entendeu. – É. – Me limitei a dizer isso, quer dizer, era tão óbvio. Enquanto isso a Agnes gemia lá atrás.

Coisas completamente horríveis de se fazer numa sexta–feira à noite:
1. Sair com sua irmã, o namorado dela e um cara bonitinho, porém tarado;
2. Brigar com seu melhor amigo por conta disso;
3. Escutar 50cent durante todo o caminho;
4. Escutar sua irmã gemendo durante todo o caminho;
5. O cara bonitinho tentar te beijar assim que vocês chegam no cinema.

Certo, ele tentou me beijar. Simples, fez biquinho e ficou me olhando com aquela cara de idiota. E eu, como sempre, fui o mais grossa possível com ele. – Eu não vou deixar você enfiar a língua na minha garganta, mas se você pretende beijar o ar, continue com isso... – Ele me olhou com uma cara de triste e então segurou na minha mão, eu o olhei com desprezo e aí ele desabou. – Nem segurar a sua mão eu posso? – Tive dó, então assenti. – Tá, mas só isso. – Coloquei muita ênfase no só. Mas ele não entenderia, coisa que eu descobri um pouco depois de entrarmos na sala do cinema.

4 comentários:

  1. PQP TA MUITO BOM!!! TO ADORANDO!!! SOU SEU FÃ NÚMERO 1!!!!!!!!!

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  2. criatividade pra comentar, kd? mano, tá bacana. brimks, hehe

    séééério, tá muuuuuito legal. adoro coisas suicidadas qqq podia colocar uma coisa gay qtau nnn

    to curtindo muito, continue assim!!!!!!! n

    Você escreve muito bem e tem uma criatividade além de muitas pessoas. Está no caminho certo, continue assim que você se dará bem em tudo o que se propuser.

    qqq

    nota 100000000000 !!!

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  3. Olha, vou ser totalmente sincero e esquecer que é uma das minhas melhores amigas que estão escrevendo isso.

    A primeira crítica vai a mim mesmo que, pqp, tô atrasado 4 episódios, por aí.
    A segunda crítica - que nem é tão crítica assim - vai para o episódio, para grande parte dele. Achei morno. E por um momento entediante. Ok, deixa eu explicar... Na parte que eu li "rap" e, um pouco mais a frente, "50Cent" me deu vontade de bocejar. Sério mesmo que Aggye curte isso?

    E olha que eu tava coooooomeçando a gostar dela. :( Freesia deveria ser mais ~simpática~ e social. Mas né.

    Vou ser totalmente "vadio" nesse meu próximo comentário. Mas esse Danilo tem uma cara de viadEU ACHO que a Freesia deveria fazer a ~bitch~ e pegar o namorado da irmã. Esse é gostoso. n

    Independente de 50cent (ew) a história tá empolgante e tipo, gostosa de ler.

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  4. uma das minhas melhores amigas que ESTÁ...*

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